O gene da aventura | Por que alguns amam e outros odeiam sair da zona de conforto?

Existem dois tipos de reações quando contamos que largamos tudo pra viajar e que atualmente moramos em uma van na Nova Zelândia:

  1. Uaaaaau, que experiência incrível! Como vocês planejaram? Sempre quis fazer isso!
  2. Vocês são loucos!? Largaram emprego estável pra viajar? Porque não viajam nas férias? Tão passando trabalho morando no carro!  – muitas vezes não usam essas palavras, mas conseguimos sentir o desconforto dessas pessoas ao se imaginarem na nossa situação.

Por que, enquanto algumas pessoas sentem uma vontade incontrolável de desbravar o mundo, correr riscos, conhecer lugares intocados, provar comidas esquisitas e viver experiências totalmente fora da zona de conforto,  outras sentem um arrepio na espinha só de pensar em estar num lugar distante que fale uma língua diferente?

Isso não é simplesmente uma questão de personalidade, pelo menos é o que dizem os cientistas que estudam o chamado “gene wanderlust” o gene da aventura e da vontade  de desbravar o mundo.

Quando nosso cérebro precisa reagir uma situação de possível risco, ele analisa quais seriam as recompensas, as emoções, o estresse gerado, as consequências, se já existe uma experiência prévia naquela situação, entre outros fatores, pra decidir que atitude tomar. Se vai ou se fica. Se arrisca ou corre pras colinas. Isso acontece quando experimentamos comidas novas, conhecemos pessoas ou viajamos pra lugares diferentes, por exemplo.

 Tongariro Crossing

A região do cérebro responsável por tomar decisões, é influenciada, em parte, por uma substância que você provavelmente já ouviu falar, a dopamina. A dopamina é a substância associada ao prazer, à sensação de bem estar, motivação e até mesmo de plenitude. Ela é liberada no cérebro quando você prova aquela comida gostosa, cumpre todas as tarefas que tinha programado pro dia ou tem um orgasmo, por exemplo. Cientistas descobriram que ter muita dopamina em certas áreas do cérebro  pode levar à comportamentos mais impulsivos e de risco. E algumas pessoas tem essa dose extra de dopamina por que possuem uma variação específica do gene DRD4, um gene que codifica um único tipo de receptor de dopamina, o alelo 7R+.

Como nem tudo são flores, além da vontade de desbravar o desconhecido, quem tem essa variação 7R+ é muito mais propenso ao abuso de álcool e drogas, à aposta de grandes valores em jogos e a relacionamentos rápidos e sem compromisso, muitas vezes só por uma noite.

O biólogo evolutivo Justin Garcia, da Indiana University’s Kinsey Institute, diz que o gene DRD4 é muito importante do ponto de vista evolutivo. A variante 7R+ ajudou à motivar o homem pré-histórico a sair da África e explorar outras partes do mundo em busca de novos territórios, alimento e abrigo.

Postagem L&R Mesa Neve Ruapehu-5575

Então, se você é um desses que largou tudo pra viajar o mundo com uma mochila nas costas, ou tem um sonho do tipo, saiba que aquelas pessoas que estudam anos pra passar em um concurso público e ter uma vida estável, não são loucas. Elas só processam o risco de uma maneira diferente. E isso pode, pelo menos em parte, estar escrito nos nossos genes.

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